“Em vez de vivermos de julgamentos e críticas, devemos ousar, aparecer e deixar que nos vejam. Isso é a coragem de ser imperfeito! Isso é viver com ousadia! Estamos aqui para criar vínculos com as pessoas! Amor e aceitação são necessidades irredutíveis de todas as pessoas.”

BRENÉ BROWN

Talvez todas as pessoas tenham pontos onde podem ser feridas ou tocadas! Por isso, é provável que todos nós, em alguns momentos da vida, nos possamos sentir vulneráveis. Curiosamente, algumas pessoas parecem ter a vulnerabilidade de não aceitar a sua própria vulnerabilidade. Talvez seja, precisamente, isso que as torna ainda mais vulneráveis. Afinal, ao não aceitarmos as nossas próprias fragilidades, tendemos a viver escondidos, e fechados dentro de débeis armaduras, numa ilusão de autopreservação.

 

Aceitar as fragilidades é respeitar o que sentimos

Aceitar que temos fraquezas pode, em si mesmo, ser um ato de coragem e, partilhar com alguém a nossa vulnerabilidade pode fazer-nos descobrir a liberdade de podermos ser o que somos, e de sentir o que sentimos, genuinamente.

Quantas vezes se sente confuso a respeito dos seus próprios sentimentos?

Quantas vezes pensa sobre o que sente?

Quantas vezes se dá a oportunidade de sentir o que sente?

Quantas vezes escolhe demonstrar de uma forma intencionada o que lhe vai na alma?

Quantas vezes pára e tenta perceber o que sente relativamente à forma como se sente?

Quantas vezes partilha o que sente com as pessoas de quem gosta?

 

Anular as emoções é anular-mo-nos a nós mesmos

Agora que pensa nisso, talvez ganhe uma maior consciência de que, quando ocultamos os nossos sentimentos, ou fazemos pouco caso das nossas emoções, – num mecanismo mais ou menos automático de aparente preservação – nos estamos a anular a nós mesmos. E talvez possa perceber agora que, pode estar a perder a oportunidade de viver de uma forma mais plena e mais congruente.

Convido-o a reler a frase anterior! Relendo agora a essa frase… pode também compreender, a um nível mais profundo que, se torna mais vulnerável quando se esconde. É provável que, queira aceitar agora que, a verdadeira vulnerabilidade está presente quando o seu comportamento se desalinha do sentimento e se distancia da intenção que tem para a sua vida, ou para um dado momento.

Aceitando agora as suas emoções e manifestando no seu comportamento a sua intenção, quando fizer sentido para si, pode começar a explorar uma melhor versão de si próprio! Agora pode ser um bom momento para começar a libertar-se da armadura…

 

Ser forte em todos os momentos pode ser um sinal de fraqueza

Ser forte em todos os momentos pode ser uma demonstração de fraqueza!

Estar vulnerável, em certas e determinadas alturas, pode fazer sentir-nos o encanto de quem sente a leveza de ser simplesmente verdadeiro. Deixar que outros observem a nossa vulnerabilidade pode ser um sinal de coragem e de partilha.

Assim, flexibilidade pode apenas querer dizer congruência com o que se sente – umas vezes força e outras vezes vulnerabilidade.

Porém, no meio cultural onde vivemos, algumas as pessoas parecem ter medo de estar ou de se mostrar vulneráveis. Muitas vezes, parecem esconder as suas fragilidades porque talvez acreditem no seu intimo que, estar vulnerável é ser fraco e medroso. Alguns crêem talvez que estar vulnerável é uma vergonha! E talvez, por isso, vão construindo e reforçando as suas pesadas armaduras para se esconderem do que sentem.

 

Pessoas interagindo com outras pessoas, lembram-nos que essa interação pode incluir empatia, conexão e vulnerabilidade.

 

A vulnerabilidade e as emoções positivas

Mas, talvez desconheçam ou esqueçam que, a vulnerabilidade não é só o centro das emoções difíceis. Pois, é também de lá que derivam algumas das emoções mais positivas e fundamentais para as nossas vidas. É da vulnerabilidade que nascem a conexão com o outro, a empatia, a pertença, a alegria, o amor…

Quantas vezes se sintoniza com o outro?

Quantas vezes pára e percebe a vulnerabilidade do outro?

Quantas vezes observa ou intui os seus sentimentos?

Quantas vezes se coloca na “pele” da outra pessoa? Quantas vezes está disponível para esse exercício?

A empatia é a competência emocional de nos colocarmos no lugar do outro. É a aptidão para nos identificarmos com outra pessoa, de imaginar o que ela sente, procurando entender as suas razões. Poderá a empatia estar presente enquanto não conhecermos e aceitarmos a nossa própria vulnerabilidade?

 

Não há empatia onde não há vulnerabilidade

A empatia nasce da nossa própria autoconsciência. Quanto mais abertos estivermos às nossas próprias emoções, mais capazes seremos de ler os sentimentos das outras pessoas. E também mais ajustadas serão as nossas respostas nas interações sociais que mantemos com os outros.

A empatia não é uma resposta automática. Quando alguém partilha algo que lhe é difícil, para que seja possível sermos realmente empáticos, é suposto estarmos disponíveis para entrar no mundo dessa pessoa. É desejável que consigamos, por alguns instantes, colocar-nos na sua posição e sentir o que ela está a sentir. E isso é sintonizar-mo-nos com a vulnerabilidade do outro. Isso também é ficar vulnerável! Não pode haver empatia onde não há vulnerabilidade!

 

Inteligência emocional pressupõe conexão e vulnerabilidade

É importante podermos aceitar que, esta capacidade – a habilidade de reconhecer como nos sentimos e de imaginar como os outros se sentem – desempenha um papel nas mais variadas cenas que compõem o filme das nossas vidas: nas relações amorosas, na parentalidade, na gestão de equipas, nos negócios. Porque, a forma como nos interagimos com as outras pessoas influencia o nosso resultado final. Sem dúvida que, a capacidade de nos conectarmos com os outros e as suas vulnerabilidades é um relevante indicador de inteligência emocional.

 

Texto | Té Monteiro

Fotografia | StockSnap

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