Ao longo das intempéries da minha vinha vida, tenho descoberto coisas curiosas e fantásticas sobre mim, observando não só a mim, mas principalmente o que me rodeia. E, há muito tempo, que acredito de um modo consistente que, a observação das coisas simples, a aceitação e o conseguir viver cada momento no seu tempo são algumas das estruturas basilares para se encontrar o bem-estar e a paz interiores. E estes são recursos importantes na hora de enfrentar alguns desafios. É importante viver hoje!

 

Atenção Dispersa

A verdade é que, muitas vezes, alguns de nós, em certos e determinados momentos da vida, investem ou despendem alguns dos seus preciosos recursos (atenção, energia, tempo, etc.), a desenhar múltiplos e variados cenários – todos especulativamente possíveis – para o desfecho de uma dada situação.

Ironicamente, as mais das vezes, quando é chegado o momento, nada acontece com se desejava, ou ansiava, ou temia, ou se pensou que seria. E, enquanto isso, o que aconteceu? Sofreu-se por antecipação ou criaram-se expetativas que, afinal, vieram mais tarde a dar origem a uma desilusão. E quem é a responsabilidade da desilusão? É apenas do iludido que as criou.

 

Porto Palafítico da Carrasqueira, na Península de Troia.

 

Viver o Agora

Quando a nossa atenção se dispersa entre o momento que há-de vir (e não chega) e o ficou lá atrás (e não se aceita), perdemos a oportunidade de estarmos presentes agora de uma forma consciente. E assim, deixamos ir a possibilidade de estar no momento presente em atenção plena. Ou seja, de poder dar atenção àquilo que podemos observar agora, sentir e fazer agora, que podemos mudar agora, que podemos viver agora. E, desta forma, estamos a trocar a mágica e única oportunidade de viver intencionadamente o único momento que podemos alterar – o presente, o hoje, o agora.

Desta maneira, distraídos e previamente ocupados – de preocupados que estamos com o caminho que ficou para lá trás ou com o que ainda não percorremos – não prestamos atenção ao caminho que agora estamos a percorrer. E, no caminho de hoje, podem haver tantas coisas para observar, algumas que podemos magicamente transformar e que, se não olharmos para elas, serão como se lá não estivessem! Por isso, agarre a oportunidade! Observe e explore o que está a acontecer agora: consigo, com quem é importante para si, com aquilo que o rodeia. Viva hoje!

E perdida nos meus pensamentos, esta semana dei por mim a reler alguns poemas de Alberto Caeiro. Para mim é prazeroso revisitar frases que expressam ideias simples e que continuam a fazer tanto sentido para mim. Faz sentido falar disso agora? Claro que faz sentido! E é claro que tem um significado! Tem o sentido e o significado que escolho dar-lhe! E como acredito que talvez também faça sentido para si lê-lo agora, partilho, aqui, um poema de Alberto Caeiro.

 

Para além da curva da estrada…

Para além da curva da estrada
Talvez haja um poço, e talvez um castelo,
E talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei nem pergunto.
Enquanto vou na estrada antes da curva
Só olho para a estrada antes da curva,
Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
De nada me serviria estar olhando para outro lado
E para aquilo que não vejo.
Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
Se há alguém para além da curva da estrada,
Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada.
Essa é que é a estrada para eles.
Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.
Por ora só sabemos que lá não estamos.
Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva
Há a estrada sem curva nenhuma.

 

ALBERTO CAEIRO

 

Texto e Fotografia | Té Monteiro

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