Na maioria das vezes, temos a ideia de que certos estados emocionais – p.e. a insegurança ou o medo a – são aspetos negativos no nosso comportamento e nas nossas vidas. Vejamos se será mesmo assim!

Um dado estado emocional pode assumir contornos positivos ou negativos dependendo da forma – mais ou menos funcional – como se manifesta. Estados emocionais como a insegurança, o medo ou a ansiedade podem ser “bons” ou “maus”, na medida em que nos permitem, ou não, aceder aos nossos recursos mais úteis para lidarmos com a situação que estamos a vivenciar.

 

Temos uma sentinela na cabeça!

No nosso cérebro mora uma espécie de sentinela que quando é acordada está pronta a montar o estado de emergência. E assim, quando soa um alarme de perigo – despertado pelo medo, insegurança – a sentinela liga para o sistema que gere a crise e acorda a tropa toda. E é assim que, de seguida, são desencadeados uma série de processos para nos proteger: libertação de hormonas, mobilização dos centros de movimento, ativação do sistema cardiovascular e dos músculos, aceleração da reatividade de áreas chave do nosso cérebro – nomeadamente, as que tornam os nossos sentidos mais aguçados. Enfim, quando a sentinela acorda, coloca o nosso cérebro em estado de alerta e prepara o nosso corpo para podermos agir respondendo a uma situação de perigo.

Cada emoção representa uma diferente predisposição para a ação. As emoções são as principais responsáveis pelas nossas ações e também pelas nossas escolhas. Cada uma das nossas emoções desencadeia processos internos, no sentido de nos apontar uma direção. Ou seja, o que havemos de fazer. E, normalmente, dizem-nos para fazermos o mesmo que, já noutras ocasiões em que, enfrentamos o mesmo tipo de situação, parece ter resultado. Porém, às vezes as emoções são precipitadas! Como surgem antes de, sequer, termos tempo para racionalizar, podem encontrar semelhanças em situações que nada têm de parecido!

Desta forma, as emoções podem ser úteis ou prejudiciais, uma vez que podem facilitar uma ação adequada, ou estar na origem do seu bloqueio, quando desencadeiam ações desajustadas.

 

Quando o medo e a insegurança podem ser úteis!

Ora veja, certamente que todos nós, em algum momento, já experimentamos estados emocionais como a insegurança, o medo, a ansiedade. Estes estados surgem quando percecionamos uma situação como alarmante, que envolve risco ou é mesmo perigosa.

Assim, é vulgar uma pessoa sentir-se insegura quando tem de realizar uma tarefa particularmente exigente para a qual não se considera preparada. É normal que possamos sentir medo ao percorrer uma rua escura que não conhecemos bem. É comum ficarmos ansiosos na véspera de um acontecimento importante. E, curiosamente, estes estados emocionais podem ser bastante úteis nesse tipo de situações. Pois, podem despertar em nós vários recursos necessários para lidarmos com a situação.

A insegurança pode ter um efeito protetor, uma vez que pode impedir-nos de correr riscos desnecessários e, assim, pode evitar que cometamos erros. O medo está associado ao nosso instinto de autopreservação. Por isso, pode ser-nos particularmente útil em situações de perigo, pois coloca os nossos sentidos em alerta e dá origem a uma resposta fisiológica que nos prepara para agir ou para fugir. E, a ansiedade funcional dá-nos o impulso para nos prepararmos e agirmos perante um evento importante.

Como já percebeu, estados emocionais a que habitualmente atribuímos conotações negativas – o medo, a insegurança, a ansiedade, etc. – podem desempenhar papeis muito úteis quando nos ajudam a aceder aos recursos que precisamos para sermos bem-sucedidos no que vamos fazer. São úteis quando funcionam a nosso favor. Afinal, o medo pode ser o nosso melhor amigo em certas situações.

 

Quando a insegurança se torna uma inimiga!

Quando, porém, estes estados emocionais não se manifestam de um modo funcional. Por outras palavras, quando estão presentes fora do seu contexto natural prejudicam o dia-a-dia da pessoa. Nesse caso, ela deixa de conseguir mobilizar os recursos internos de que necessita e que lhe seriam mais úteis para lidar com uma situação. Esse é o caso de alguém se sente ansioso ou com medo sem uma razão plausível.

Assim, quando a insegurança, o medo ou a ansiedade se tornam disfuncionais a pessoa tende a deixar de conseguir raciocinar com clareza e tende a alimentar pensamentos e crenças negativos que, bloqueiam a sua capacidade de agir. O que, dessa forma, acaba por comprometer a sua interação com o mundo e causar sofrimento.

A pessoa passa a viver em função daquilo que a deixa insegura, sem que consiga encontrar as soluções ajustadas. A pessoa passa a estar dominada por medos, por vezes, irracionais. E vive, assim, num estado limitante de ansiedade que passa a estar presente na maioria das situações da sua vida. Por essa razão, tantas pessoas adiam consecutivamente tarefas e decisões. Por essa razão, se escondem e sabotam as suas oportunidades, em vez de procurar criá-las. E parecem, muitas vezes, não ter quaisquer objetivos para a sua vida. Por essa razão, tantas pessoas, não conseguem construir relacionamentos saudáveis, sentem-se infelizes, …

 

Descubra as suas emoção!

Existem emoções de todas as cores e todos os estados emocionais podem ser bons desde que estejam presentes no momento em nos são úteis. São úteis quando nos facilitam comportamentos que funcionam e estão ajustados às situações. Todos os estados podem ser prejudiciais se estiverem presentes fora do seu contexto funcional.

Por isso, é tão importante que possamos tomar atenção a nós mesmos e ter mais consciência das nossas emoções: que emoções estão presentes, como e em que circunstancias se manifestam. Por isso, pode continuar agora a explorar as várias formas de descobrir as suas emoções e de encontrar, dentro de si, os pensamentos que lhe permitem aceder aos estados mais úteis para lidar com dos desafios do seu dia a dia. Lembre-se de ouvir as suas emoções e de perceber que pensamentos e comportamentos despertam.

 

E se ficou interessado, saiba que esta publicação faz parte de uma sequência de artigos. Leia também:

  1. O que é a autoestima? Qual a sua importância?
  2. A Insegurança, o medo ou a ansiedade são “maus” ou “bons”?
  3. Autoestima baixa: Que sentimentos e comportamentos.
  4. Como se forma a autoestima. Quando nasce?
  5. Como aumentar a autoestima: 11 atitudes poderosas.

 

Texto e Fotografia | Té Monteiro

Newsletter!

Registe-se agora e receba inspiração, dicas e as novidades Happy Flow na sua caixa do correio.

Recebemos o seu pedido de registo. Confirme, por favor, a subscrição no e-mail que lhe enviamos.

Pin It on Pinterest

Share This