Ouvimos dizer muitas vezes que é preciso definir objetivos para alcançar resultados: objetivos pessoais, objetivos de vida, objetivos para os negócios, etc. Mas, talvez existam certas coisas que precise saber, antes de pensar em começar a traçar os seus objetivos.

Talvez nem todas as pessoas consigam transformar o que dizem querer em objetivos suficientemente irresistíveis e poderosos. Objetivos definidos de forma pouco sedutora tendem a não nos fazer investir a energia necessária para os alcançar!

Muitos de nós falam de ter objetivos, algumas pessoas já procuraram saber mais sobre objetivos SMART, talvez seja o seu caso. Mas… é provável que muitos de nós não saibam exatamente o que transforma um desejo num objetivo. O segredo está saber como definir objetivos de forma eficaz!

Um dos passos mais importantes para conseguir atingir objetivos, é saber como defini-los. Por isso, talvez queira conhecer 6 dos pressupostos importantes, antes de começar a definir os seus objetivos.

 

1. É fácil saber o que não queremos… mas não chega!

Tenho observado tanto na minha experiência pessoal, como na interação com as outras pessoas que, tendemos a ser muito eficientes a enumerar tudo aquilo de que não gostamos nas nossas vidas. Facilmente, identificamos todas aquelas coisas que não queremos. Por exemplo, “não gosto do meu trabalho”, “não gosto do meu chefe”, “não gosto do sitio onde moro”, “não estou satisfeito com o meu relacionamento com A”, “não quero continuar nesta função”, “não quero estar desempregado”, “não quero continuar num casamento de circunstância”, “não quero ter excesso de peso”, “não quero…”, “não quero…”.

Quer isto dizer que, com alguma facilidade somos capazes de identificar o caminho que não queremos perseguir. Curiosamente, parece que isso não chega para se optar por um caminho diferente.

Não chega saber o que não queremos ou do que não gostamos. O importante é sabermos o que queremos especificamente em vez disso. Quando o nosso foco está dirigido para aquilo de que não gostamos e não queremos, é para lá que se dirige a nossa energia. Ou seja, estamos a despender a nossa energia naquilo que não queremos, em vez de a investir num processo de mudança que nos pode conduzir para outra realidade.

 

2. Os objetivos são definidos pela positiva

Agora que chegou até aqui, percebe que, embora por vezes, se saiba o que não se quer, não sabemos realmente o que queremos em vez disso. E, por isso, acabamos por não definir com clareza o nosso caminho. Ou seja, tendemos a ser menos assertivos quando se trata de dizer exatamente o que queremos.

É vulgar tendermos a sentir dificuldade em definir especificamente o nosso objetivo. Será porque quando alguém se fixa naquilo que não quer, fica conectado e focado nos impedimentos da sua situação atual, em vez de se focalizar naquilo que quer alcançar?!

Um objetivo é uma formulação positiva de uma intenção. Não algo que não queremos! É, sim, algo que queremos e estamos dispostos a alcançar. Esta é uma característica muito importante de um objetivo. Pois, é uma forma eficaz de nos ajudar a focar no que é importante. Ou seja, naquilo que queremos (o objetivo a alcançar). Brincando com o tema, se lhe disser agora: “Não pense numa lata de grão”. Em que é que pensou? O que é que visualizou? Numa lata de grão, certo? Ora aí está! Quer focar-se em todas as coisas que diz não querer? Ou naquilo que pretende alcançar? Quando pensamos positivamente estamos a dirigir-nos para o que queremos, e pode começar por pensar de forma positiva agora.

 

3. Definir objetivos tem a ver connosco

Podemos começar por chamar à situação em que nos encontramos, o nosso estado atual e a situação em que gostaríamos de estar – aquilo que queremos – de estado desejado. O estado desejado corresponde ao seu objetivo, por isso, o que faz sentido é que o estado que desejamos seja algo que tenha a ver connosco e que dependa de nós.

Algumas pessoas, por vezes, acham que os resultados que gostavam de atingir dependem de outras pessoas. Talvez, por isso, fiquem tentadas a definir objetivos para si, que passam pela mudança de outras pessoas. Por exemplo, “quero estar mais tempo com o meu marido, por isso, o meu objetivo é que ele mude de emprego para estar em casa ao Sábado”. Ora isso não é um objetivo para o próprio, talvez o outro nem !

Para uma eficiente definição de objetivos é importante considerarmos que, estes devem conter algumas caraterísticas fundamentais. Uma das principais é dependerem de nós próprios. Um objetivo pressupõe uma alteração que tenha a ver a própria pessoa, connosco mesmos.

Reflita, por exemplo, sobre o caso dos atletas. Não faria muito sentido se estes definissem os seus objetivos para as competições, com base na alteração do desempenho dos seus concorrentes, pois não? O que faz sentido é que definam objetivos para melhorar as suas próprias performances, e que treinem para tal. Pois é, o objetivo é um estado desejado que envolve mudanças na própria pessoa.

 

4. Os objetivos devem ser controláveis

As situações e as escolhas das pessoas à nossa volta tendem a não depender da nossa vontade. Por isso, não as podemos controlar. No meio de tanta coisa que não controlamos, talvez o melhor seja começar por ganhar algum domínio sobre nós mesmos. Pois, aquilo que mais facilmente dominamos no processo talvez seja aquilo que tem a ver connosco. Ou seja, os nossos pensamentos, os nossos comportamentos. Ou melhor, aquilo que que depende de nós e das nossas ações. Faz sentido definir objetivos que possamos influenciar através das nossas ações.

É por esse motivo que, um objetivo deve de estar, o mais possível, dependente do nosso controlo e da realização de tarefas que dependam principalmente de nós. Algumas vezes, somos tentados a acreditar, ou acreditamos mesmo, que os resultados que pretendemos atingir dependem apenas das outras pessoas e não de nós. Por isso, é tão importante que compreenda que uma das premissas de um objetivo é que este seja possível de ser controlado por nós próprios. Não espere ganhar a lotaria se não comprar o bilhete!

 

5. Definir Objetivos e alimentar sonhos são coisas diferentes

Por vezes, tendemos a confundir sonhos com objetivos. Nas minhas conversas do dia-a-dia, ouço pessoas afirmarem que o maior objetivo das suas vidas é “serem felizes”; “serem ricos”; “terem muito dinheiro”; “encontrarem a sua alma gémea”; “serem reconhecidos”; “dar a volta ao mundo”. Mas, o que observo, tantas e tantas vezes, é que muitas dessas coisas são ditas sem que, a própria pessoa se questione o que é para ela estar feliz; quanto dinheiro teria de ter para se considerar rica ou, até, se acha isso pode ser possível; o que é uma alma gémea e que tipo de pessoa quer encontrar; que países gostava de visitar e sobretudo que significado teria isso para si.

Quando formulamos desejos a um nível muito abstrato estamos a falar de sonhos. Os sonhos não são específicos, nem nos mobilizam para a ação. Os sonhos são alguma coisa que se acontecesse seria incrível, mas que muitas vezes não sentimos como possível.

Um objetivo é uma outra coisa. É algo que queremos, que definimos com clareza e de uma forma mais especifica (objetivos SMART). É alguma coisa que acreditamos que pode ser possível, que pode tornar-se real e é importante e significava para nós. Os objetivos são, assim, intenções formuladas positivamente que, devem depender das nossas ações e que necessitam de especificação e contextualização.

 

6. Os objetivos precisam de contexto, sensações e emoções

Sabia que a nossa mente se alimenta de representações? Sim, a mente precisa de representações precisas para se focalizar, e para se mobilizar em direção a um objetivo. Por essa razão, é tão importante que acredite na concretização dos objetivos que define. É importante que acredite que o seu objetivo se pode tornar em realidade, e que se consiga imaginar na situação que deseja.

Assim, para além de se guiar para aquilo que quer (e não para o que não quer), é importante que consiga definir com clareza o seu objetivo (leia sobre Objetivos SMART) e também tenha uma descrição do objetivo em termos sensoriais.

É importante que se ligue ao mundo das sensações quando se imagina a alcançar o seu objetivo e que consiga imaginar os sons, as imagens, os odores, os sabores, … enfim as sensações dessa conquista. Quando se imagina na situação que quer, o que é que vê? O que é que ouve? Que palavras diz de si mesmo? E o que dizem os outros? Como é que sente nessa situação? Que aromas e sabores estão presentes?

As sensações que experimenta quando se imagina a atingir o seu objetivo são um poderoso auxiliar. O exercício de nos imaginarmos na situação desejada ajuda a criar representações sensoriais na nossa mente, que atuam como um mecanismo interno de motivação.

Programe a sua mente imaginando e visualizando-se a viver o estado que deseja! Imagine o que sentiria ao alcançar o seu objetivo, coloque-se nesse momento e sinta as sensações e as emoções que se lhe associam. Lembre-se que, sensações geram pensamentos e emoções. E, lembre-se que as emoções são a alavanca das nossas ações.

 

Lembre-se…

Todos tendemos a querer mudar alguma coisa nas nossas vidas! No entanto, algumas vezes, não conseguimos perceber facilmente o que queremos exatamente, ou como o alcançar. Nem sempre estabelecemos objetivos e nem sempre sabemos como o fazer. É por essa razão que, saber o que é um objetivo, e conhecer os pressupostos de uma boa definição de objetivos, é fundamental para que possamos ser capazes de traçar objetivos poderosos que nos desafiem a alcançá-los. Uma boa definição de objetivos é determinante, uma vez que, o potencial de um bom objetivo é determinado pela estrutura que este será capaz de nos fornecer.

 

Esta publicação faz parte de uma secção de artigos sobre objetivos. Se ficou interessado, leia também:

 

Texto | Té Monteiro

Fotografia | Mohamed Hassan

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