A baixa auto estima tende a ser uma característica comum nas pessoas que não se sentem bem consigo mesmas. E que, muitas vezes, se julgam incompreendidas pelos outros e, dessa forma, se sentem pouco adaptadas à vida do quotidiano. De algum modo, a baixa auto estima tende a estar associada à falta de maturidade emocional e a crenças limitadoras à cerca das capacidades pessoais.

Deste modo, uma autoestima baixa impede a pessoa de aceder aos seus próprios recursos internos! E faz com que, tantas e tantas vezes, alguns de nós adotem comportamentos de auto-sabotagem – ora agindo de uma forma diferente da que tinha desejada, ora escondendo-se das próprias oportunidades. Por essa razão, é importante que possamos descobrir formas de como aumentar a autoestima, através de um trabalho interior de autoconhecimento e de ajustamento de atitudes. 

E, se leu o meu artigo anterior, percebe que algumas emoções – o medo, a ansiedade, a insegurança, entre outros – podem ter um efeito protetor quando de uma forma funcional habilitam comportamentos que nos ajudam a lidar com alguns eventos desafiantes ou situações de risco potencial. No entanto, quando essas mesmas emoções assumem dimensões disfuncionais, podem ter um efeito bloqueador. E, dessa forma, dar origem a comportamentos que sabotam e prejudicam a obtenção de resultados nas várias áreas da vida dos outros. Nesta perspetiva, alguns destes estados emocionais podem estar presentes de forma bloqueadora e pouco funcional em pessoas que atravessam processos de autoestima baixa.

 

Características e traços comportamentais da baixa auto estima…

A autoestima tem muita importância na forma como enfrentamos os desafios do quotidiano. Ou seja, na forma como cada um de nós age no seu dia-a-dia. Alguém com autoconfiança baixa acaba por experimentar algumas dificuldades adicionais nas suas vivências diárias. Nesta perspetiva, a reduzida autoestima tende a estar na origem algumas características e traços comportamentais, tais como os 12 que são apresentados abaixo.

1. Vulnerabilidade Emocional

A pessoa com falta de autoestima tende a percecionar os comentários dos outros como uma crítica intencional, até mesmo nas pequenas brincadeiras das pessoas que lhe são próximas (namorado, familiares, amigos, colegas, etc.). Como consequência disso, tende a fechar-se em si mesmo, alimentando algumas tristezas e alguns pequenos rancores que, decorrem dos pensamentos negativos que emergem da sua perceção e do seu julgamento à cerca da intenção do outro.

Esta exacerbada sensibilidade pode dar origem a uma barreira na relação com as outras pessoas. Além disso, faz com que a pessoa que tenha  autoestima baixa sinta que os outros estão distantes, quando na realidade quem se afastou foi ela própria. E esta elevada vulnerabilidade emocional conduz, muitas vezes, à dependência ou carência afetivas.

2. Insegurança

Quando a insegurança assume uma dimensão desajustada, a pessoa tende, geralmente, a ter muitas dúvidas e incertezas nos momentos em que tem de tomar uma decisão. Experienciando desconforto e ansiedade nessas alturas. E, de modo semelhante, tende a sentir uma desconfiança e um desconforto exagerados perante novos contextos.

Por isso, é vulgar que neste âmbito, conviver com a indecisão e a ansiedade quando lida com problemas simples. Afinal, qualquer falha pode tornar-se na “prova visível” de que não consegue, dando origem a uma parafernália de pensamentos negativos.

3. Deficit de confiança

A falta de crença em si mesmo e nas suas capacidades, pode fazer com que se sujeite a situações desagradáveis, ou mesmo pouco dignas. E isso pode suceder, sem que a própria pessoa seja capaz de reconhecer as suas reais necessidades ou encontrar formas ajustadas de se relacionar com esses desafios.

Assim, mesmo não estando satisfeita com o seu emprego ou no seu relacionamento, essa pessoa pode não ser capaz de desenvolver esforços para procurar uma situação melhor, uma vez que não confia nas suas capacidades para o conseguir.

4. Auto-julgamento excessivo

A tendência para se focar e valorizar as suas imperfeições e supostos defeitos, pode levar alguém a ignorar e desvalorizar as suas próprias qualidades. E isso, limita, a possibilidade de expor os seus pontos de vista com medo da crítica, da desaprovação ou do ridículo.

O sentimento de insuficiência gera, nalguns casos, um foco numa necessidade de perfeição (perfecionismos) como se essa fosse uma condição para poder ser aceite e reconhecido pelos outros.

Assim, as tarefas podem ser feitas de uma forma mais lenta ou com menos eficácia, devido a um excesso de perfecionismo ou por um adiamento sucessivo causado pelo medo de falhar.

5. Forte necessidade de validação

A opinião do outro parece sempre ser mais valiosa que a da própria pessoa e, por isso, o bem-estar tende a depender da validação das outras pessoas. Assim, podem ser recorrentes perguntas como: “a roupa fica-me bem?”; “achas que devo ir?”; “não sei se devia fazer isso, o que achas?”; “fiz bem, não fiz?”. Buscando, dessa maneira, a validação ou forçando o elogio de que precisa para apaziguar a seu desconforto interior.

Quando  tem a autoestima baixa, a opinião de qualquer pessoa pode ser determinante, pois parece ver-se a si mesma através dos olhos de que a rodeia.

Assim, quando lhe dizem coisas agradáveis – “tomaste a atitude certa”, “foste generoso”, “estás com boa aparência”, “estás bonita”, etc. – tende a ficar feliz e radiante. Porém, quando a opinião do outro não é favorável a pessoa fica desolada e tende a experimentar estados emocionais muito negativos. Mesmo que quem tenha dado a opinião não seja alguém especialmente importante na sua vida.

6. Muita dificuldade em lidar com desafios

Devido a uma opinião negativa de si mesmo, tende a evitar tanto os desafios, como as oportunidades e, critica-se em frente dos outros.

Como tem dificuldade em aceitar a falha, a pessoa com uma autoestima frágil tem a tendência para se justificar e encontrar um culpado para tudo o que acontece. Achando, por vezes, que é uma vitima ou que os outros estão contra si.

Quem tem uma autoestima debilitada tende a apresentar uma baixa tolerância à frustração. E, como não acede aos recursos adequados para lidar com situações de conflito ou divergência de pontos de vista, acaba por assumir uma postura submissa e, noutros casos, manifesta-se com alguma agressividade.

7. Permissividade

Estas pessoas tendem a ter dificuldade em impor limites e em dizer não, mesmo que – dizer sim ao outro – implique um sacrifício adicional para si mesmo. A necessidade de agradar a outras pessoas é, frequentemente, mais forte que a vontade de se agradar a si mesmo. A necessidade de agradar aos outros leva a que não tenha a real perceção das próprias necessidades.

Assim sendo, a pessoa com autoestima baixa acaba por experimentar algumas dificuldades em expressar de forma assertiva as suas necessidades individuais. E, em muitas situações, acaba por adotar uma postura passiva ou, no limite, por reagir com raiva.

8. Sentimentos de inferioridade e desvalorização pessoal

A comparação com o outro está presente em muitos momentos. E, de algum modo, a pessoa que tem baixa auto estima acredita que qualquer outro é melhor que ela própria.

Como consequência disso, no seu dia-a-dia, desvaloriza o que sente e vai demonstrando nos seus atos a crença no não merecimento. Não merece ser feliz, não merece ter um emprego melhor, não merece ter relacionamentos saudáveis, … E, facilmente, acredita que já é uma sorte ter um mau emprego ou uma relação mesmo que pouco funcional.

Essas crenças, podem levar a pessoa a permanecer num relacionamento infeliz ou num emprego onde as suas reais qualidades não são reconhecidas. Na verdade, existem muitos casos de pessoas muito qualificadas e competentes que não têm consciência do seu valor. E, por isso, não podem tirar daí partido duma forma adequada. E, algumas, chegam a ter dificuldade em aceitar um merecido elogio.

9. Ausência de objetivos

É também vulgar a tendência para não se definir metas e objetivos para realização pessoal, emocional e profissional, nem desenvolver iniciativas nesse sentido. E o que, muitas vezes, é justificado com a alegado falta de tempo, esconde na verdade a inexistência de objetivos devido à presença de estados emocionais bloqueadores.

10. Sentimento de insatisfação

Nunca nada parece estar bem! A pessoa vive regularmente em angústia e ansiedade, alimentando pensamentos pessimistas e negativos.

E, muitas vezes, não percebendo a origem dessa insatisfação cria expetativas de que algo exterior a si lhe possa trazer a satisfação que não sente. Por exemplo, a atenção de outra pessoa, um evento, a comida, um objeto novo, um vicio, etc. E, assim, se atribuir aos outros e ao mundo exterior a responsabilidade pelo seu próprio bem-estar pessoal e interior.

11. Tendência para relacionamentos pouco saudáveis

As relações pessoais podem também ser mais difíceis para as pessoas que têm uma baixa autoestima devido às suas emoções negativas. Nos relacionamentos é muito vulgar a submissão ou, em oposição, a manipulação.

Se, por um lado, aquele que acha que não merece melhor e não acredita no seu valor pode submeter-se a relações disfuncionais, pouco respeitadoras e até emocionalmente destrutivas. Também pode acontecer que, em oposição,  possa tender a aproximar-se de pessoas ainda mais vulneráveis. Ou seja, que não alarmem a sua insegurança. Pois, dessa forma, pela inferiorização do outro, podem sentir-se mais valorizadas.

12. Competitividade social desajustada, ciúme

A falta de autoestima pode conduzir a uma necessidade constante de estar no centro das atenções. Por isso, quando o(a) companheiro(a) simplesmente se distrai a falar com alguém, a pessoa que possui baixa auto estima pode interpretar isso como uma ameaça ou um flirt, levando-a a pensamentos e reações descontextualizadas.

Afinal, não acredita verdadeiramente que outro possa gostar de si de forma incondicional (com as suas imperfeições).

No mesmo sentido, é também possível que essa pessoa possa entrar nalguns processos de competição com os outros, mesmo com os que lhe são próximos (colegas, companheiro, família, etc.), procurando superá-los em todas as situações ou tudo o que possuem. E, por isso, quando sente que não consegue, pode alimentar alguns ressentimentos pela atenção que recebeu a menos ou por aquilo que o outro lhe parece possuir a mais (bens materiais, reconhecimento, etc.).

A  auto estima baixa causa tristeza e sofrimento…

A autoestima baixa – decorrente da imagem que a pessoa tem de si mesmo, das crenças, das emoções e sentimentos que lhe estão associadas – causam tristeza e sofrimento. E isso sucede sem que a própria pessoa tenha muita consciência do ruído interior em que vive ou da origem dos próprios comportamentos.

Por essa razão, é tão importante que possamos parar, ouvir a nossa voz interior e perceber o que ela nos diz e o que estamos a fazer com isso. Ouça a sua voz interior e explore os caminhos possíveis para a tornar na sua melhor amiga e consequentemente aumentar a autoestima.

 

E se ficou interessado, saiba que esta publicação faz parte de uma sequência de artigos. Leia também:

  1. O que é a autoestima? Qual a sua importância?
  2. A Insegurança, o medo ou a ansiedade são “maus” ou “bons”?
  3. Baixa autoestima: sentimentos e comportamentos.
  4. Como se forma a autoestima. Quando nasce?
  5. Como aumentar a autoestima: 11 atitudes poderosas

 

Texto | Té Monteiro

Fotografia | PDPics

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